Asfixia mecânica x crise convulsiva: o que se sabe sobre a morte de mulher em Piumhi

  • 01/04/2026
(Foto: Reprodução)
Elen Cristina Teixeira de carvalho encontrada morta em Piunhi Reprodução/Redes Sociais A morte de Elen Cristina Teixeira Carvalho, de 31 anos, em Piumhi, no Centro-Oeste de Minas Gerais, registrada inicialmente como suspeita, ganhou novos contornos após a divulgação da causa da morte. Enquanto o companheiro da vítima afirmou que ela teria sofrido uma crise convulsiva, a certidão de óbito apontou asfixia mecânica. De acordo com a Polícia Civil, o caso segue em investigação. O corpo da vítima foi encontrado dentro da casa onde morava com o companheiro e a filha de 10 anos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp Segundo a Polícia Militar, o homem relatou que a mulher teria tido uma convulsão. No entanto, o médico que a atendeu no hospital identificou sinais que podem indicar violência. O g1 consultou o médico Carlos Marcelo de Barros, especialista em dor crônica e estudioso de convulsões para saber qual a diferença entre a asfixia e a convulsão. Veja abaixo. O que é asfixia mecânica? A asfixia mecânica é uma condição em que há impedimento físico da entrada de ar nos pulmões ou da adequada troca de oxigênio no organismo. Isso pode ocorrer por compressão externa do pescoço, obstrução das vias aéreas ou restrição dos movimentos respiratórios. Do ponto de vista médico-legal, trata-se de um mecanismo de morte bem caracterizado, no qual a falta de oxigênio leva rapidamente a sofrimento cerebral, perda de consciência e, em seguida, parada das funções vitais. Em muitos casos, especialmente quando há suspeita de violência, o corpo pode apresentar sinais compatíveis com esse tipo de mecanismo, como marcas no pescoço ou alterações típicas observadas no exame pericial, o que ajuda a diferenciar causas naturais de morte. Convulsão pode causar morte? A convulsão é uma manifestação clínica decorrente de uma descarga elétrica anormal e excessiva no cérebro, podendo provocar movimentos involuntários, perda de consciência e alterações do comportamento ou da percepção. Embora possa ocorrer em diversas situações, como epilepsia, febre, alterações metabólicas ou lesões cerebrais, a convulsão, por si só, raramente é causa direta de morte em indivíduos previamente saudáveis. Quando associada a óbito, geralmente existe uma condição subjacente grave que explique o desfecho. Por isso, do ponto de vista médico, é fundamental investigar cuidadosamente o contexto clínico e os achados físicos para distinguir entre uma morte de causa neurológica natural e situações em que outros mecanismos, como trauma ou asfixia, possam estar envolvidos. “Uma crise convulsiva é um evento neurológico, em que há uma descarga elétrica anormal no cérebro. Em alguns casos raros, pode levar à morte, mas não por asfixia mecânica direta. Já a asfixia mecânica envolve um impedimento físico da respiração, geralmente causado por um fator externo”, afirmou o médico. Segundo ele, embora uma convulsão possa gerar situações de risco, como quedas ou aspiração, isso não se confunde com os mecanismos típicos da asfixia. “São causas diferentes. Na convulsão, o corpo entra em um processo neurológico desorganizado. Na asfixia mecânica, existe uma obstrução ou compressão que impede o ar de chegar aos pulmões. Quando há diagnóstico de asfixia, é preciso investigar o contexto em que isso ocorreu”, completou. Por que há suspeita de violência? A divergência entre a versão apresentada pelo companheiro e a causa apontada na certidão de óbito é um dos principais pontos de atenção para os investigadores. Além disso, conforme a Polícia Militar, há registros de histórico de violência envolvendo o casal — o que reforça a necessidade de apuração detalhada. A Polícia Civil aguarda resultados de exames periciais que devem esclarecer as circunstâncias da morte e indicar se houve, de fato, ação criminosa. Boletim de ocorrência O boletim de ocorrência foi registrado como morte suspeita no dia 25 de março. A certidão de óbito aponta asfixia mecânica como causa. Segundo o registro policial, o companheiro dela, de 33 anos, é apontado como suspeito e foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos. De acordo com a Polícia Militar, o homem alegou que a esposa sofreu uma crise convulsiva na residência e a levou ao hospital. No entanto, o médico que a atendeu constatou que a mulher já chegou sem vida à unidade e, ainda, identificou sinais de violência. Entre eles, estavam a roupa íntima da vítima rasgada, hematomas na região do quadril e da orelha, além de sangramento vaginal. O boletim também aponta histórico recente de violência doméstica entre o casal, ao longo de 2025, com nova ocorrência registrada poucos dias antes da morte da mulher, em 20 de março deste ano. LEIA TAMBÉM: Do primeiro encontro ao assassinato: veja a cronologia do relacionamento da jovem de MG morta pelo namorado em Goiânia Manifestação silenciosa pede justiça por jovem morta pelo namorado em Goiás ASSISTA TAMBÉM: Reunião debate combate à violência contra a mulher em Divinópolis Reunião debate combate à violência contra a mulher em Divinópolis VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2026/04/01/asfixia-mecanica-x-crise-convulsiva-o-que-se-sabe-sobre-a-morte-de-mulher-em-piumhi.ghtml


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